Os 40 são a idade da revisão. A essa altura da quilometragem vai ser bom descobrir limites e privilégios que a idade traz. Esse blog é uma tentativa de ser, como diz a música do Rappa, “mais sincero e mais justo comigo”. Só assim serei sincera e justa com o outro.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
O mundo vai acabar no meu aniversario e isso não me espanta
Sabe por quê? Meu aniversario sempre foi uma bosta. Já gastei muito dinheiro na terapia falando disso, mas acho que você tem que saber o que sofre uma pessoa que nasceu em dezembro e concorre com Natal, réveillon, shoppings bombando, praia, festa de amigo oculto, início das férias...
Imagine o que é ter 5 anos e não poder comemorar seu aniversario porque os amiguinhos da escola já entraram de férias e se dispersaram por aí.
Imagine o que é ter 7 anos e ganhar apenas um presente de aniversário e Natal com a desculpa de que "é um presente só, mas é um presente bom". Cacete! Presente bom são dois, como ganham as outras crianças.
Imagine o que é ter 10 anos, viajar com a família no dia do seu aniversário e ninguém se tocar de que você está há horas muda no banco do carro porque só você sabia que dia era aquele.
Imagine o que é ouvir todos os anos que seu aniversario cai numa época péssima. Desde já peço desculpas a todos. Eu ju-ro que não sou responsável por isso.
Imaginou? Pois é. Tem mais.
Já trabalhei onde eu passava o ano organizando os aniversários de todo mundo e ninguém se lembrava do meu. Já trabalhei onde existia um quadrinho - preenchido periodicamente - com os aniversariantes do mês e em dezembro ele ficava em branco.
Já tentei produzir uma festa 2 meses antes e ouvi de uma profissional do mercado:"tá louca!? Festa em dezembro tem que planejar um ano antes". Já pedi ajuda para uma comemoração caseira e ouvi: "mas essa data é tão inconveniente para os convidados..." É sim. Mas a maior inconveniência é para mim, pode ter certeza.
Os aplicativos de calendário eletrônico e as redes sociais amenizaram um pouco isso. Fazem, pelo menos, com que as pessoas se lembrem. Mas continuo detestando aniversário em dezembro. O fim do mundo pode ficar com o próximo dia 21 porque eu quero transferência para abril.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Odeio dezembro
Odeio dezembro. E seu calor desrespeitoso. Seu trânsito travado, sua impaciência querendo que o ano acabe logo, suas vitrines com falsas promoções e essa insuportável obrigação de ser feliz.
Dezembro é um mês em que nada se resolve: o aumento que você pediu ao seu chefe não vai sair, a poltrona que você comprou não será entregue na data marcada e o marceneiro que prometeu que viria fazer um orçamento não vai aparecer. Dezembro só serve para adiar as coisas.
Em dezembro nada fica, nada se perpetua. "Ah, deixa isso para o ano que vem". Já deixei a troca do tampo da mesa, a apuração sobre o curso de italiano e a visita ao ginecologista.
Dezembro praticamente não existe. Não há vaga para estacionar, não há mesa nos restaurantes por causa das ruidosas confraternizações de fim de ano, não se consegue horário na manicure, na massagista, na tinturista, na limpeza de pele... E você acaba recorrendo a um profissional que não é o de sua predileção e se aborrecendo. Dezembro é um mês meio errado.
É um mês pela metade. Em dezembro ninguém te escuta, ninguém te olha. As pessoas correm para as apresentações de balé dos filhos, o amigo oculto do trabalho, a prova no curso de inglês... Para entregar o ano como concluído no dia 15, quando sai o 13o salário. Aí é a hora de comprar, comer, brigar, se aborrecer, ouvir o que não quer, fingir que não percebeu... A isso chamamos Natal. Mas isso é outro post.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Mulher não cede passagem
O problema é que as pessoas descontam na direção as frustrações do dia-a-dia. Atrás do volante, infelizmente, para muita gente, é o único momento do dia em que se pode parar para pensar um pouco. E aí vem a raiva, a frustração, a humilhação, a sobrecarga... e ela não vai te deixar passar porque agora precisa pensar nela. Assim, no trânsito, a doçura femina se resume a nada.
Tô falando de nós mulheres porque, em geral, somos mais inseguras e, sinceramente (ok, lá vem o apedrejamento) acho que isso se reflete no trânsito. Mas a insegurança masculina também está representada, claro, nas nossas ruas, vias e avenidas. Um carrão também é uma maneira de disfarçar atributos que lhes faltam.
Falando em carrão, vejam que exemplo louco de como as pessoas usam o carro para se relacionar com o mundo. Conheço uma mulher que dirige um carro enorme, dessas jamantas importadas e só consegue estacionar em uma das vagas da garagem do prédio dela. A motorista em questão tenta convencer o condomínio a destinar com exclusividade aquela vaga para ela. E... tipo... comprar um carro menor?! Meu Deus! A pessoa não sabe manobrar e compra o maior carro do mercado! Essa, além de não dar passagem, não usa os retrovisores! Não enxerga ninguém.
domingo, 25 de novembro de 2012
Magras e cegas
Li três guias de estilo. Fiquei curiosa com relação a um deles, ganhei outro de presente... e um terceiro chegou à redação em que trabalho. Li os três. Acho que sempre se aprende algo novo com quem tem um olhar treinado. O problema é que o mercado da moda, em alguns momentos, se descola da realidade de uma forma espantosa.
Algumas recomendações desses guias me insultam barbaramente. E saí em busca de explicação. Só encontrei uma: as autoras são magras. De uma delas vi a foto no próprio livro, das outras fui pesquisar no Google. Magras! Amigas de magras, trabalham com magras e falam para magras.
Se eu tenho raiva de magra? Não, tenho inveja. Ser magra, tudo bem. O problema é ser cega e não enxergar o que o mundo da moda não devia desprezar: a maioria das mulheres tem sobrepeso.
Nos 3 guias que li as autoras adoram dizer que compram camisetinhas descoladas em loja de criança. "A tamanho 14 anos fica perfeita em mim". Oi!? "Camiseta branca básica de malha bem justinha toda mulher tem que ter e as melhores são das lojas infantis". Gente, pára a leitura que eu quero descer! Além de conhecer poucas mulheres que cabem numa camiseta 14 anos, qual é a mulher depois do 30 que tem condição de usar camiseta branca bem justinha!?
Duas das autoras aconselham a leitora a guardar todos os sapatos fora das caixas para poder visualizá-los. Mas quem guarda sapato em caixa? Você convive com alguma assalariada que tenha armário ou closet suficientemente grande para guardar os sapatos em caixa? Me fala.
Outro guia de estilo dos que folheei, sugere com fotos "looks" montados com uns trapinhos "que qualquer um tem em casa": short desfiado, blusa manchada e tênis velho. Isso só é bacana na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde o povo adora fazer o gênero "peguei no armário e nem olhei". Devo informar que em outras regiões da cidade e no restante do país ninguém acha bonito andar assim.
E nas fotos de todos os guias, as pessoas "flagradas" na rua usam manequim 36, 38. Quero ver montar “look” pra gente normal, que veste 42 e 44. A ultima vez que entrei num manequim 38 eu devia ter 15 anos. Façam coisas para o meu tamanho e depois venham falar comigo.
sábado, 17 de novembro de 2012
Não fale com estranhos
Este post é para o taxista, que não entendeu que ontem à tarde peguei um táxi porque não queria me aborrecer no trânsito, nem procurando vaga. E que eu estava torcendo por 20 minutos em que pudesse ficar sozinha com meus pensamentos. Moço, eu respondi monossilabicamente a todas as suas tentativas de puxar conversa. Como taxista, o senhor deveria entender que é um sinal de que o passageiro quer ficar quieto. Estou pagando pelo o que deveria ser um pouco de sossego. No restante do dia, sabe, eu só tenho tranquilidade quando estou dormindo. Trabalho com muita gente, tenho um filho pequeno, uma empregada nova que faz muitas perguntas...
Esse post também vai para a senhorinha que se sentou ao meu lado no ônibus, sábado, quando voltei da praia. Meu marido e meu filho estavam num passeio de meninos e eu queria aproveitar para ver a paisagem da cidade tranquilamente. Queria ver o entra-e-sai, os rostos, ouvir pedaços de conversa que não me dizem respeito. Eu não queria, minha senhora, por mais respeito que tenha por sua idade, saber da sua diabetes e ver fotos dos seus netos que, pelo jeito, não lhe dão atenção. Eu não queria ter que lhe responder qual o meu nome, o que faço e onde moro. Menti nas 3 perguntas que a senhora me fez. A senhora também não devia abrir a bolsa dentro do ônibus, para uma pessoa estranha, e mostrar seu celular novo. Primeiro porque é perigoso e, segundo, porque eu não queria ver. Levantei dizendo que ia saltar, mas menti pra senhora, de novo. Fui sentar lá no fundo, escondidinha, para ficar em silêncio. Me desculpe, percebo que a senhora está sozinha, mas era exatamente o que eu buscava: ficar sozinha.
Esse post é para a mulher que insistiu em falar comigo durante o seminário em São Paulo. Agora não, moça. Eu peguei um avião para vir aqui, ouvir as pessoas que estão na listinha que você recebeu também. Não fale comigo. Estou tomando notas e você está me atrapalhando. Não sei quem é você, não quero saber, não estou interessada na sua opinião. Por isso vou me levantar e, sem dar qualquer explicação, vou trocar de lugar. Com certeza você vai atacar a concentração do próximo que sentar-se a seu lado.
Esse post é também para um menino de 12 anos que enche meu saco querendo me adicionar no Facebook porque ele acha legal ser amigo de jornalista. Pediu 3 vezes. Na primeira, ignorei. Na segunda, expliquei candidamente que eu só aceitava pessoas que conhecesse pessoalmente e menores, somente se conhecesse os pais também. Hoje, quando pediu mais vez, depois de (arrrgh) me cutucar, fiquei com vontade de dizer: garoto, vai brincar com alguém da sua idade. Lamento que você tenha pais que permitam que você adicione estranhos ao seu perfil. Lamento que eles te exponham a esse risco. Lamento que eles não tenham te ensinado o que parece loucura nos dias de hoje, mas não fale com estranhos!
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Porque não uso fone de ouvido 2
Vejam o que eu teria perdido se andasse pela rua com fones enfiados nos ouvidos!
Fila no caixa das Lojas Americanas. Duas mulheres aparentando entre 25 e 30 anos. Loiras. Lisas. Segurando cestinhas repletas de produtos de cabelo.
Loira 1 - Acho que a gente tá levando muita coisa, não? Será que preciso desse aqui?
Loira 2 - Leva sim. É excelente já usei.
Loira 1 - Esse outro? É tão caro...
Loira 2 - Mas tá muito mais barato que nos outros lugares.
Loira 1 - E esse? Por que a gente tá levando esse também?
Loira 2 - É lançamento. Cabelo adora novidade.
(pausa dramática)
Loira 2 - Olha, cabelo a gente tem que cuidar. Sabe por que? É muito olho! Cabelo liso cai de tanto que as outras mulheres olham. Quantas pessoas você conhece que tem cabelo bom de verdade como o nosso? Você anda na rua e as outras te olham "secando", vai por mim. Tem que cuidar!
Neste momento as duas percebem que havia alguém logo atrás, se viraram e deram de cara comigo - cabelo curtinho e meio ruinzinho. Fiquei com vontade de dizer: fiquem tranquilas. Só estou escutando a conversa.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Letra A do caderninho
Se você, assim como eu, se chama Ana, ou Adriana, Amanda, Angélica, Alice... E é da geração pré-Facebookeana, saberá do que estou falando. Um dia, do nada, um ex-namorado ou ex-ficante te telefona, começa uma conversa sem sentindo, com um gancho mal escolhido, e, meio titubeante, te faz algumas perguntas enquanto você se espanta com o tempo que passou sem que tivesse notícias dele.
De onde apareceu esse sujeito? Faz dois anos que terminou com você... Ele nem se importava muito... Te deu um pé na bunda sem nenhuma classe... Que coisa mais estranha ele ligar agora, dizendo que se lembrou de você no ultimo Dia de Finados por causa da morte da sua avó 3 anos antes... E que a amiga da mocinha da novela das 6 se parece com a sua prima de Piracicaba. Por que ele quer saber onde você vai passar as férias ou se você foi à praia na semana passada?
Neste ponto, Adelaide, você acessa o arquivo-morto no seu HD pessoal para tentar determinar com exatidão de que capítulo da sua história saiu aquele sujeito. E você precisa recuperar alguns detalhes cruéis porque suas pernas tremeram ao ouvir a voz dele. Você foi pega desprevenida, Abgail, calma. Apesar do susto, a situação está sob controle.
Você dispensa ele, Ágda, desliga o telefone e leva um tempo até concluir que: é sexta-feira à noite, ele está sozinho e com preguiça de ir para a noite garimpar. Essa esparrela toda era para saber se você está disponível. Ele tem a lembrança de que você é legalzinha e levemente desencanada. Ele acha que vai poder te dar o fora de novo sem que você se jogue na frente de um caminhão ou até que conseguirá um namorico sem compromisso porque você é metida à moderna e resolve seus dramas sozinha e sem exposição.
"E por que ele se lembrou de mim"? Ele NÃO se lembrou de você, Alcione! Você estava na letra A do caderninho, Andréa! Ele poderia ter ligado para a Alicia ou para a Arlete, Alessandra ou Anita. Simples assim. Ele abriu o caderninho e telefonou. Talvez antes tenha tentado alguém que não atendeu.
Se você tem mais de 30 anos e seu nome começa com A, é muito provável que tenha passado por isso. E é bem provável que depois de levar um fora, ele tenha dito: "beleza, então depois a gente se fala". Não sofreu, não se frustrou, não se abalou nem esticou a conversa. Precisava tentar outro nome antes que ficasse tarde para sair.
Depois vieram as redes sociais, o status de relacionamento e tenho a impressão de que a ordem alfabética perdeu a prioridade na procura.
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